Eu cometi um crime. Um crime muito serio. Um assassinato.
E como qualquer criminoso eu fugi, me escondi.
No entando, a policia me encontrou.
Fui preso, levado a julgamento, condenado.
Cumpri a minha pena, tive apenas como companheiro, o mais cruel dos carcereiros.
Hoje, vivo em liberdade condicional.
Hoje sou um ex-presidiario em processo de reintegracao a sociedade.

O fato de voce ainda me amar depois do assassinato, contribui ainda mais para o meu estado constante de inercia. A impressao que eu tenho e que a minha alma esta fora do meu corpo. Que observo tudo acontecer (ao mesmo tempo) dum plano superior. Como se tudo fosse um sonho e que a qualquer momento eu vou acordar.

Nos falamos hoje novamente por mais uma hora ao telefone. No final voce usou as "nossas palavrinhas". Isso me fez querer, por incrivel que possa parecer, que voce estivesse aqui. Que vento e esse que sempre leva o meu velerio de volta ao seu porto?

Acho que vou acordar.


Quando eu fui ferido vi tudo mudar
Das verdades que eu sabia
So sobraram restos que eu nao esqueci
Toda aquela paz que eu tinha
Eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado
A meia-noite, a meia luz, pensando
Daria tudo por um modo de esquecer
Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
A meia-noite, a meia luz, sonhando
Daria tudo por meu mundo e nada mais
Nao estou bem certo se ainda vou sorrir
Sem um trago de amargura
Como ser mais livre, como ser capaz
De enfrentar um novo dia



(Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes)