Sad Songs...


Hoje peguei meu disc-man e fui ao parque dar uma volta. Precisava sair, estava me sentindo sufocada... Andei entre as árvores, respirei fundo e tentei descobrir o que está me angustiando tanto...
A música em meus ouvidos transportou-me a uma época distante, onde não existia tanta responsabilidade e eu podia me dar ao luxo de ser inconsequênte, onde o medo não era algo tão assustador e o maior problema era tentar tirar uma boa nota nas provas... onde minhas tristezas podiam ser curadas com os afagos de minha mãe...
Meio que por magia, o Soneto da Separação de Vinicius de Moraes surgiu em minha mente...

De repente do riso fez-se o pranto
Silêncioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Um sorriso tentou sobrepor a lágrima em vão...
Voltei para casa, sem ter conseguido entender minha tristesa, mas quem sabe De repente, não mais que de repente...